sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Paciente com síndrome rara ganha ação de R$ 1 milhão contra laboratório

Se dependesse de mim os laboratórios faliriam... Remédio pra mim é só em último caso.
Magnólia Almeida desenvolveu síndrome rara após tomar um comprimido de Novalgina. Veja no depoimento em vídeo como ela está se adaptando às sequelas do tratamento
Priscilla Borges , iG Brasília |
Há quase cinco anos, Magnólia de Souza de Almeida, 40 anos, teve a vida transformada após tomar um comprimido de Novalgina, remédio que ela usava com frequência quando tinha dores de cabeça ou febre, os dois sintomas que a levaram a tomar a mesma medicação em uma segunda-feira do mês de maio de 2007.
Após duas doses do remédio, tomadas em um intervalo de oito horas, bolhas começaram a aparecer no corpo de Magnólia, como uma espécie de reação alérgica. Os olhos vermelhos pareciam sob o efeito de uma conjuntivite. Rapidamente os sintomas ficaram mais fortes. As bolhas – que mais pareciam queimaduras – não paravam de aparecer e a febre não cedia.
Diagnosticada com uma doença rara, Magnólia teve de se readaptar a viver. A Síndrome de Stevens-Johnson, doença que acomete entre uma e seis pessoas a cada grupo de 1 milhão, provoca cegueira e pode ser uma porta de entrada para inúmeras infecções.
“É uma doença pouco frequente, mas potencialmente grave”, explica Luis Felipe Chiaverini Ensina, diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai).
Magnólia passou mais de dois meses internada, com mais de 90% do corpo tomado por bolhas, teve diferentes infecções, entrou em coma três vezes, mas sobreviveu. Perdeu o emprego (foi aposentada), vendeu a casa onde morava e o carro da família para pagar cirurgias nos olhos. Agora, passado o pior período, ela comemora pequenas vitórias.
“Me sinto grata por estar viva. E estou me readaptando à vida. Já passei por mais de 30 cirurgias nos olhos e, agora, tenho 5% da visão. Já melhorei muito”, diz.
Magnólia acaba de vencer uma outra etapa que pode ajudar a vida financeira da família e o tratamento, no futuro: ela ganhou uma ação contra o laboratório fabricante da Novalgina.
A decisão tomada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) condena o laboratório Sanofi-Aventis a pagar R$ 1 milhão a Magnólia e seu marido, Lucivaldo Rodrigues de Almeida. Os juízes entenderam que o remédio provocou a sídrome e que o risco de tê-la, mesmo descrito na bula, “não é inerente ao produto e extrapola a segurança esperada do consumidor”.
Doença imunológica
O diretor da Asbai, Luis Felipe Ensina, explica que, na maioria das vezes, a Síndrome de Stevens-Johnson é desencadeada após a ingestão de medicamentos. Os mais comuns são antibióticos, anti-inflamatórios não-hormonais e anticonvulsivantes. Mas a doença também pode aparecer em decorrência de infecções.
A síndrome é caracterizada por reações na pele e nas mucosas. Pode atingir olhos, boca, nariz, ouvido e órgãos internos. Febre e vermelhidão na pele são outros sintomas.
“Como o corpo fica muito exposto, os casos de morte ocorrem por causa das infecções”, diz o diretor da Asbai. De acordo com o médico, a taxa de mortalidade dos pacientes com a síndrome varia 10% a 15%.
O laboratório vai recorrer da decisão do TJDFT. Em nota, a empresa diz que “a síndrome está devidamente descrita na bula de Novalgina, conforme legislação da Anvisa” e com recomendação para procurar um médico em caso de reações indesejáveis. O laboratório ressalta que a doença, além de rara, pode estar relacionada ao uso de “várias classes de medicamentos”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário