Refletir é preciso
Ao eleger um ponto de vista e discorrer sobre ele, faz-se uma opção, entre uma gama de possibilidades, por abordar um dos lados do objeto escolhido.
Um risco inerente vem à tona: o de criar um raciocínio reducionista, que dará ênfase apenas às idéias e juízos mais favoráveis ao interesse de quem discursa.
Assim, imprescindível haver comprometimento ético: palavras não são apenas opiniões jogadas ao vento, vez que influenciam outras pessoas e repercutem em seus comportamentos.
Por conseguinte, prudência e bom senso ao falar e ao escrever são recomendados: nem sempre o interlocutor será capaz de entender as entrelinhas e a motivação escondida naqueles dizeres.
Quem elabora um texto, por exemplo, insere automaticamente sua visão da vida, na tentativa de convencer num ou noutro sentido.
Portanto, cuidado!
Às vezes, o subentendido nem sempre é percebido, porém pode se mostrar tão ou mais importante do que o que foi explicitado.
Um artigo aparentemente bem intencionado, ao ser analisado de maneira mais pormenorizada, pode revelar um propósito ou uma ideologia distorcidos em relação ao escopo que, na roupagem, no cenário, diz querer alcançar.
Duvide, desconfie daquelas concepções enlatadas, cuja essência e objetivo permanecem velados. Não as tome como verdades incondicionais. Pois, conforme asseverou Ségur, “a dúvida é o começo da sabedoria”.
Drummond escreveu, no poema intitulado “Verdade”, que a porta da verdade só deixa passar meia pessoa por vez, porquanto cada uma se posiciona conforme sua utopia, sua ilusão, sua miopia.
Não nos deixemos levar: a neutralidade não existe. Passemos a observar quem é o autor, qual a sua história e, principalmente, qual o seu horizonte. E, na fala ou no texto em si, tentemos identificar seu foco, isto é, o que pretende.
Avalie as fontes e preste muita atenção ao contexto. Seja curioso: tome o que você ouve e lê como oportunidades para investigar as circunstâncias e refletir sobre elas, sem, apressadamente, atropelar etapas.
Por fim, terminada uma reflexão, dependendo da conclusão a que se chegou, não se deixe intimidar nem alimente dentro de si decepção que o deixe desacreditado, com vontade de desistir. Renove, sempre que sentir necessidade, o coração idealista, aquele, que muitas vezes a realidade teima em sufocar. Depois , mãos à obra, para o plano da ação, fazendo a sua parte para mudar o que precisa ser mudado!
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